Ferramentas de Apoio à Recomposição Fluente de Subestações de Transmissão

O aumento da quantidade de subestações telecomandadas a partir dos centros de telecontrole tem causado grande preocupação em relação à capacidade de reação dos operadores, especialmente nos casos de grandes ocorrências tais como blecautes parciais ou totais no sistema elétrico de potência.

Nestas situações os operadores devem executar a uma quantidade muito elevada de comandos para efetuar, primeiramente a preparação para a recomposição (desligamentos) e, posteriormente, a recomposição fluente (não coordenada pelo COS/ONS) propriamente dita. Estes procedimentos devem ser executados para cada uma das instalações que foram desligadas no blecaute. Há ainda a fase coordenada pelo COS/ONS, onde os operadores devem aguardar instruções para a continuação do processo.

Com o objetivo de reduzir o tempo da fase fluente da recomposição elaborou-se, no setor de Engenharia de Supervisão da CEEE-GT, um projeto que pretende, gradualmente, acrescentar automatismos e ferramentas para auxiliar os operadores do telecomando a completar as suas tarefas com maior eficiência e precisão.

O projeto foi dividido em etapas para facilitar a implementação e permitir aos operadores, através de treinamentos e da prática, se habituarem e ganharem confiança nos automatismos. As etapas são as seguintes:

1a Fase

  • Processo semiautomático (iniciado pelo operador) de preparação da recomposição.
  • Telas de apoio à recomposição fluente, para cada subestação.
  • Disponibilização das Instruções de Operação (IO’s) nas IHM’s.

2a Fase

  • Processo automático de preparação da recomposição.

3a Fase

  • Processo semiautomático de execução da recomposição fluente.

4a Fase

  • Processo automático de execução da recomposição fluente.

No momento estamos implantando a Fase 1. A plataforma de IHM utilizada nos Centros de Telecomando é a Open Substation HMI (OSHMI) que é um software open source. Os automatismos são implementados em linguagem LUA (https://www.lua.org), uma linguagem projetada para estender aplicações que foi embutida na IHM para a criação de scripts.

Os scripts foram divididos em um para cada subestação, para facilitar a manutenção. Em cada script é executado uma verificação das condições de ocorrência de blecaute em torno da subestação:

  • É verificada a validade das medições
  • É verificada a ausência de tensões nos barramentos
  • É verificada a ausência de fluxos nas linhas, em ambos os terminais

Para predispor o automatismo de preparação, é verificado ainda se algum bay está transferido, o que pode indicar uma situação de anomalia na instalação.

Quando predisposto o automatismo é apresentado um botão “INICIAR” na tela unifilar da IHM e também na tela dedicada para a recomposição. Ao comando do operador é iniciado o processo automático de desligamento dos disjuntores da subestação (em alguns casos, mais de 50). Estes automatismos podem ser disparados simultaneamente para diversas subestações.

Ao final da preparação o operador conta com a tela-guia da recomposição fluente de cada instalação. Nesta tela, cada passo da recomposição está representado, de acordo com a sequência e condições estabelecidas nas IO’s. A cada passo, os scripts de tela (feitos em Javascript diretamente na tela SVG) verificam o atendimento das condições de execução (faixas de tensão, valores de tap, estado de disjuntor, etc.). Cabe ao operador executar cada comando disponibilizado na tela.

A execução dos comandos se tornou muito mais rápida do que anteriormente quando o operador era obrigado a consultar as IO’s em papel, verificar as condições e sequências de comando e encontrar na tela os objetos a serem comandados. Tornou também bastante mais seguro o processo, já que fica mais difícil errar a sequência, as condições e os objetos a comandar.

O treinamento dos operadores é feito através da simulação de ocorrências e da execução dos processos de preparação e recomposição.

Este é mais um entre outros projetos onde procuramos focar nos usuários (User Centered Design) e nas suas respectivas tarefas, aplicando os conceitos de IHM de Alta Performance (teorias cognitivas) de modo melhorar a Consciência Situacional e por consequência o desempenho dos operadores.

Ricardo Olsen in-2c-14px, MEng. :: CEEE-GT

recomp

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